Há, em muitos setores, uma crescente preocupação com a correção política exacerbada que tomou conta de nossos campi e outros fóruns de conversação pública. Até mesmo grandes obras da literatura e da filosofia — de Huckleberry Finn e Heart of Darkness até, acredite se quiser, a Crítica da Razão Pura de Kant — agora são regularmente acompanhadas de “avisos de gatilho” que alertam os leitores potenciais sobre o racismo, sexismo, homofobia ou classismo contidos nelas. E surgem cada vez mais em nossas faculdades e universidades os chamados “espaços seguros”, onde estudantes extremamente sensíveis podem se refugiar após confrontos perturbadores com pontos de vista com os quais não simpatizam. Meu exemplo favorito disso ocorreu na Brown University, onde administradores forneceram centros de retiro com massinha, lápis de cor e vídeos de filhotes brincando para acalmar os nervos dos estudantes antes mesmo de um debate controverso começar! Aparentemente, até a mera perspectiva de um argumento público enviava esses alunos a uma versão atualizada da creche. Claro que um concomitante paradoxal dessa sensibilidade exagerada em relação a ofensas é uma propensão à agressividade e à violência verbal; pois, uma vez que o debate autêntico foi descartado, o único recurso que resta às partes em disputa é algum tipo de censura ou intimidação.
Obviamente, há muito nisso que pode e deve ser ridicularizado, mas não seguirei esse caminho. Em vez disso, gostaria de revisitar uma época em que as pessoas sabiam como ter um argumento público sobre as questões mais acaloradas. Embora possa surpreender muitos, estou falando da Alta Idade Média, quando nasceu o sistema universitário. E para ilustrar o método medieval de conversação disciplinada, não há candidato melhor do que São Tomás de Aquino. O principal meio de ensino na universidade medieval não era a aula expositiva, que se tornou proeminente apenas no sistema educacional alemão do século XIX; mas sim a quaestio disputata (questão disputada), que era uma troca intelectual pública, animada e às vezes barulhenta. Embora os textos escritos de Aquino possam nos parecer hoje um tanto pesados, devemos lembrar que estão fundamentados nessas conversas disciplinadas, mas decididamente enérgicas.
Se consultarmos a obra-prima de Aquino, a Summa theologiae, veremos que ele formula literalmente milhares de questões e que nem mesmo os temas mais sagrados estão fora da mesa, a melhor evidência disso sendo o artigo três da questão dois da primeira parte da Summa: “utrum Deus sit?” (se existe um Deus). Se um sacerdote dominicano tem permissão para fazer até essa pergunta, tudo está em jogo; nada é perigoso demais para ser discutido. Após enunciar o problema, Tomás então apresenta uma série de objeções à posição que eventualmente defenderá. Em muitos casos, essas objeções representam uma destilação de reivindicações e questionamentos reais que Aquino teria ouvido durante as quaestiones disputatae. Mas, para nossos propósitos, o ponto a enfatizar é que Tomás apresenta essas objeções em sua forma mais convincente, muitas vezes formulando-as melhor e mais sucintamente do que seus próprios defensores poderiam. Como prova disso, notamos que, durante o Iluminismo, filósofos racionalistas às vezes utilizavam objeções tomistas para reforçar suas próprias posições antirreligiosas. Para dar apenas um exemplo, considere a formulação devastadoramente convincente de Aquino do argumento do mal contra a existência de Deus: “se um dos dois contrários fosse infinito, o outro seria destruído... mas Deus é chamado o bem infinito. Portanto, se Deus existe, não haveria mal.” Tomás de fato fornece uma resposta contundente, mas, como dito, esse é um argumento muito forte. Posso sugerir que ajudaria imensamente nosso discurso público se todas as partes estivessem dispostas a formular as posições de seus oponentes da forma mais respeitosa e convincente possível.
Tendo articulado as objeções, Tomás então oferece sua resolução magistral da questão: “Respondeo dicendum quod...” (Respondo que é preciso dizer...). Uma das marcas mais lamentáveis da mente pós-moderna é a tendência de adiar indefinidamente a resposta a uma pergunta. Basta olhar para a obra de Jacques Derrida para uma aula magistral nessa técnica. E, infelizmente, muitos hoje, que desejam desesperadamente evitar ofender alguém, encontram refúgio justamente nesse tipo de irresolução permanente. Mas Tomás sabia o que Chesterton sabia, a saber, que uma mente aberta é como uma boca aberta, isto é, destinada a se fechar finalmente sobre algo sólido e nutritivo. Finalmente, tendo oferecido seu Respondeo, Aquino retorna às objeções e, à luz de sua resolução, responde a elas. É notável que uma técnica típica de Tomás seja encontrar algo correto na posição do objetor e usar isso para corrigir o que ele considera equivocado nela.
Ao longo desse processo, nas objeções, nos Respondeos e nas respostas às objeções, Tomás recorre a uma ampla gama de fontes: a Bíblia e os Padres da Igreja, é claro, mas também os filósofos clássicos Aristóteles, Platão e Cícero, o estudioso judeu Moisés Maimônides e os mestres islâmicos Averróis, Avicena e Avicebron. E ele invoca essas figuras com supremo respeito, caracterizando Aristóteles, por exemplo, simplesmente como “o Filósofo” e referindo-se a Maimônides como “Rabbi Moyses”. É justo dizer que, de maneiras substanciais, Tomás de Aquino discorda de todas essas figuras, e ainda assim está mais do que disposto a ouvi-las, a engajá-las, a levar seus argumentos a sério.
O que esse método tomista produz é, à sua maneira, um “espaço seguro” para a conversação, mas é um espaço seguro para adultos e não para crianças tímidas. Posso sugerir modestamente que não seria um mau modelo para nossa discussão atual de coisas sérias.











