
Meditação
As Bem-aventuranças: o Caminho da Cruz que Conduz à Felicidade Eterna
Isaac Marcos
01 fev. 2026
Tempo de leitura: 4 minutos
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Há um desejo profundo no coração de Nosso Senhor que todos nós, todos, alcancemos a nossa salvação, a santidade. Vemos hoje onde Nosso Senhor se encontra, “Quando vê a multidão, sobe ao monte” (Mt 5, 1), sobe ao monte porque é sempre nos montes que dialoga com o Pai, e agora eis que do monte como canta no salmo “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?”, daí Nosso Senhor hoje não dialoga sobre o Pai, mas fala do Pai e no Pai aos seus.
Vemos aí, que não adianta buscar as sabedorias do mundo, é tudo muito raso, tudo passa, as coisas do alto não, não nascemos para as coisas pequenas, nascemos para a eternidade, para o que não passa. E não nos enganemos, como dizia Antoine de Saint-Exupéry naquele livrinho o pequeno príncipe: “O essencial é invisível aos olhos.”.
O mundo vai nos apresentando que felicidade é ter o carrão do ano, felicidade é dirigir uma grande empresa, felicidade é ter aquela mulher, aquele homem dos mais elevados padrões de beleza segundo a sociedade. Enganam-se o mundo, a felicidade é se aproximar de Deus. Canta o salmo 83: “Felizes os que habitam vossa casa... Prefiro estar no limiar de vossa casa”. A nossa felicidade é Cristo, a nossa felicidade é o céu.
Pois bem, os discípulos se aproximam e então diz, quando os discípulos se aproximaram é que começou a ensinar. São Lucas diz “Erguendo os olhos sobre os discípulos”. Mas é claro, no domingo passado os chamou, chamou aqueles que ele quis. E te chama porque te quer. Mas que bondoso mestre, não nos engana, Nosso Senhor não prometeu aos 12 que seriam bem-sucedidos, que teriam aqui na terra as honras dos gladiadores, mas cruzes:
“No mundo tereis aflições... Coragem... Eu venci o mundo.” (Jo 16,33)
No sermão da montanha Nosso Senhor descreve o estado dos discípulos: são pobres, famintos, que choram, odiados e perseguidos. Vejam que o seguimento de Jesus não é nada fácil, “Quem quer me seguir, tome a sua cruz”. Não à toa Santo Agostinho vai dizer:
“Senhor, é duro te seguir, mas é impossível te deixar.”
Como é difícil hoje católicos decididos a abraçar a cruz, decididos a estar junto a Cruz de Nosso Senhor. Se diz que os tempos são outros, é verdade, Mas Cristo é mesmo, o Evangelho é o mesmo, não mudou.
São Paulo vai dizer em 2Cor 6,10 que os primeiros católicos eram
“considerados como impostores, ainda que sinceros; desconhecidos, ainda que bem conhecidos; como agonizantes, embora estejamos com vida; como condenados, ainda que livres da morte; considerados tristes, mas sempre alegres; pobres, ainda que tenhamos enriquecidos a muitos; como nada tendo, ainda que tudo possuindo.”
Eis aí a vida de quem ama e teme a Deus, os insultos do mundo nada são.
Mesmo nas dificuldades, nas dores, nos ultrages, mesmo quando nos fazem pouco caso e zombam da nossa fé, do nosso amor a Deus, convém que sirvamos antes a Deus, ele não nos ampara. O santo apóstolo dos gentios ainda diz:
“Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; mas não destruídos...” (2Cor 4,11).
Reparem que tudo isso que Jesus diz aos discípulos é tudo aquilo que foi a sua vida, Quantas vezes caímos na desilusão de achar que Deus não sabe o que estamos passando, a cruz que estamos vivendo. É claro que Ele sabe, ele sentiu na própria carne. Para o cristão, para quem ama a Deus, cruz não morte, cruz não é desgraça, cruz é vida, cruz é ato de amor.
“Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.” (Mt 5,1-12a)
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