São Paulo nos diz que “Deus é glorioso em seus santos” (2Ts 1,10). O cardeal Ratzinger, depois papa Bento XVI, disse em várias ocasiões: “A arte e os santos são a maior apologia da nossa fé.”

A solenidade de Todos os Santos dá expressão litúrgica a essas convicções.

Pensei que poderia ser útil colher algumas reflexões sobre a santidade de ninguém menos que nosso mais novo Doutor da Igreja, São John Henry Newman. Faço isso levando a sério a ressalva do próprio santo cardeal: “Como todos sabem, não tenho nada de santo; e ser considerado quase um deles é uma mortificação severa (e salutar)” (fevereiro de 1850). Ele repetiu essa avaliação no próprio dia em que foi nomeado cardeal (17 de maio de 1879), embora com um pouco mais de disposição para reconhecer as realizações alcançadas sob o poder da graça divina:

Ao longo de muitos anos, cometi muitos erros. Não possuo aquela elevada perfeição própria dos escritos dos Santos, a saber, a impossibilidade de encontrar neles algum erro; mas aquilo que espero poder reivindicar em tudo o que escrevi é isto: uma intenção honesta, ausência de interesses particulares, uma disposição obediente, vontade de ser corrigido, temor de errar, desejo de servir à Santa Igreja e, pela misericórdia divina, uma medida razoável de êxito.

A coleta do trigésimo domingo do Tempo Comum faz este pedido: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais, para que alcancemos o que prometeis.” Sugiro que a teologia da santidade à qual São John Henry aderiu consistia precisamente no desejo de “amar o que [Deus] ordena”, a fim de “alcançar o que [Deus] promete”.

A busca da santidade foi um tema constante na pregação de Newman, que dedicou literalmente centenas de sermões a esse assunto. Nesse sentido, podemos vê-lo como precursor da insistência do Concílio Vaticano II na “vocação universal à santidade”.

Dessa vasta coleção de reflexões “newmanianas” sobre a santidade, escolhi apenas dez pensamentos seus que esboçam o caminho real para o Céu. Devo mencionar que todos esses sermões foram proferidos quando ele ainda era clérigo anglicano, o que demonstra como era verdadeiramente “católico” décadas antes de “atravessar o Tibre”.

  1. Por que as pessoas deixam de participar do culto dominical? Newman responde nos termos mais contundentes: "Não querem levar uma vida religiosa; não gostam de prometer que levarão uma vida religiosa; e pensam que o Santíssimo Sacramento realmente as obriga a isso: obriga-as a viver de modo muito mais rigoroso e ponderado do que vivem atualmente." Ele, porém, não se limita a falar dos que se ausentam: também se dirige aos que participam regularmente do culto dominical e recebem a Sagrada Comunhão com frequência:

Infelizmente, não devo encerrar o assunto sem fazer algumas advertências àqueles que observam essa prática. Gostaria que nenhum de nós precisasse de advertências; mas até o melhor entre nós está em combate e sendo posto à prova, e nenhum de nós pode sair prejudicado por elas. Não preciso lembrar-vos, meus irmãos, que há um perigo ligado à recepção indigna; esse é justamente o pretexto que muitos apresentam para não comungar. Mas acontece com frequência — como também em outras situações — que as pessoas temem quando não deveriam temer e não temem quando deveriam temer. Uma breve reflexão mostrará isso: qual é o perigo na comunhão? É aproximar-se dela sem temor, como sugere São Paulo. Fica claro, então, que, apesar do que acabei de dizer, quando as pessoas correm o risco de receber a Eucaristia indignamente, em geral não percebem de fato esse perigo, pois o próprio perigo consiste em não temer. Se verdadeiramente temessem o Santíssimo Sacramento, com reverência religiosa, nesse aspecto não correriam o risco de uma recepção indigna.

Ele desenvolve ainda mais essa ideia:

Permiti-me mencionar também outro pecado de natureza semelhante, ao qual os comungantes estão sujeitos: esquecer, depois de comungar, que comungaram. Mesmo quando resistimos à frieza que a Comunhão frequente pode ocasionar e nos esforçamos por manter a mente tão profundamente recolhida quanto quando o rito ainda era novo para nós, muitas vezes, ainda assim, há uma diferença dolorosa entre o que sentimos antes de participar dele e o que sentimos depois.

(A participação na Sagrada Comunhão, 23 de janeiro de 1842)

  1. Estreitamente relacionada a isso está a ideia de que é necessário ter um santo temor do “sagrado”:

No Céu, o amor absorverá o temor; mas, neste mundo, temor e amor devem caminhar juntos. Ninguém pode amar a Deus corretamente sem temê-Lo, embora muitos O temam sem amá-Lo. Os homens autoconfiantes, que não conhecem o próprio coração nem as razões que têm para estar insatisfeitos consigo mesmos, não temem a Deus e pensam que essa liberdade ousada é amor a Ele. Os pecadores deliberados temem a Deus, mas não conseguem amá-Lo. A devoção a Ele, porém, consiste em amor e temor, como podemos compreender a partir do afeto que normalmente sentimos uns pelos outros. Ninguém ama verdadeiramente outra pessoa sem sentir certa reverência por ela. […] É o respeito mútuo que torna duradoura uma amizade. O mesmo se aplica aos sentimentos dos subordinados pelos superiores: o temor deve preceder o amor.

(Reverência cristã, 8 de maio de 1831)

  1. À recepção digna do Santíssimo Sacramento e a um saudável temor do Senhor deve seguir-se uma resposta de serviço dedicado e destemido. Vejam como Newman parece contemporâneo:

[…] será mais simples definir o Zelo como o desejo ardente pela honra de Deus, que conduz a ações vigorosas e corajosas em sua defesa, apesar de todos os obstáculos. […] Atualmente, está na moda chamar o Zelo de intolerância e considerar a intolerância o maior dos pecados; isto é, qualquer empenho em favor de uma opinião, em vez de outra, a respeito da natureza e da vontade de Deus e de sua relação com os homens — ou, em outras palavras, qualquer empenho em favor da Fé uma vez transmitida aos Santos, qualquer empenho em favor da Revelação enquanto tal. Certamente, nesse sentido, os Apóstolos foram os homens mais intolerantes: o que é, senão intolerância nesse sentido da palavra, declarar que “quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”; que “os que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo serão castigados com a destruição eterna, longe da presença do Senhor”; que “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os avarentos, nem os caluniadores, nem os extorsionários herdarão o Reino de Deus”; que não devemos nem mesmo “comer” com um irmão que seja assim; e que não podemos “receber em nossas casas” nem “desejar boa viagem” a quem vier até nós sem a “doutrina de Cristo”?

Ele encerra o sermão com este pedido: "Que Deus todo-poderoso, por amor de seu amado Filho, nos conduza em segurança através destes tempos perigosos, para que, sem jamais abandonarmos nosso Zelo pela honra de Deus, possamos santificá-lo pela Fé e pela Caridade, sem manchar nossas vestes com a ira ou a violência, nem sujá-las com o pó de um mundo tumultuado!" (Zelo cristão, fim do ano de 1834)

  1. Numa homilia de Pentecostes, ele desafia sua congregação a adotar o que hoje chamaríamos de um estilo de vida contracultural:

Os cristãos são chamados a dar pouca importância às coisas comuns que os homens buscam: riqueza, luxo, distinção, popularidade e poder. Foi essa indiferença em relação ao mundo que, nos primeiros tempos, lhes valeu a acusação de indolência. Seus inimigos pagãos diziam a verdade: eles eram indolentes e indiferentes quanto às coisas temporais. Se os bens deste mundo surgissem em seu caminho, não eram obrigados a recusá-los; tampouco proibiriam que outros os utilizassem de maneira religiosa. Mas consideravam-nos vaidades, brinquedos de crianças, que os adultos sensatos deixam de lado.

Ele explica em seguida por que o cristão se comporta assim: "Por conseguinte, o respeito que o cristão tem por si mesmo não é um sentimento pessoal e egoísta, mas antes um princípio de devoção leal e reverência para com aquele Mestre divino que se digna visitá-lo. Ele não age precipitadamente, mas com contenção e temor, consciente de que o olhar de Deus está sobre ele, a mão de Deus repousa sobre ele e a voz de Deus fala dentro dele."

Mais uma vez, conclui com um apelo vigoroso, exortando os fiéis a aproveitar o ciclo litúrgico da Igreja para viver verdadeiramente como cristãos:

Que todos nós, sem exceção, iniciemos esta estação em que o Espírito desceu, para que cresçamos na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador! Que aqueles que tiveram períodos de recolhimento os prolonguem até que se tornem um modo de vida; que os que fizeram bons propósitos durante a Quaresma se lembrem deles no tempo pascal; que os que até agora viveram religiosamente aprendam a ser devotos; que os que viveram com a consciência tranquila aprendam a viver pela fé; que os que fizeram uma boa profissão de fé procurem ser coerentes; que os que apreciam o culto religioso busquem a santidade interior; que os que têm conhecimento aprendam a amar; e que os que meditam não se esqueçam da mortificação. Que esta estação sagrada não nos deixe como nos encontrou: que nos deixe não como crianças, mas como herdeiros e cidadãos do Reino dos Céus. […] Aproveitemos o tempo enquanto se diz “hoje”. […]

(Nobreza cristã, 22 de maio de 1831)

  1. Newman adverte contra a presunção e a autoconfiança em matéria religiosa:

Mas ainda não descrevi o estado extremo da fraqueza à qual a bênção da paz conduz os cristãos descuidados. Eles não apenas se tornam excessivamente confiantes quanto ao conhecimento dos caminhos de Deus, mas se tornam categóricos em sua confiança exagerada. Não gostam que suas opiniões sejam contestadas e, em geral, são mais apegados justamente aos pontos que eles próprios inventaram. Esquecem que todos os homens, na melhor das hipóteses, são apenas alunos na escola da Verdade divina; que eles próprios devem estar sempre aprendendo; e que podem ter certeza da verdade de seu credo sem ter a mesma certeza sobre os pormenores de suas opiniões religiosas. Parece-lhes muito mais confortável — e muito mais conveniente à indolência da natureza humana — deixar de buscar e acreditar que já não há nada a descobrir. A fé correta está sempre ávida e alerta, com olhos e ouvidos atentos aos sinais da vontade de Deus, quer Ele fale pela natureza, quer pela graça.

(Visões limitadas em religião, 4 de dezembro de 1831)

  1. Em outra ocasião, ele ousa falar sobre a renúncia a si mesmo:

O mesmo vale para este mundo, com todas as suas alegrias e também decepções. Não confiemos nele; não lhe entreguemos nosso coração; não comecemos por ele. Comecemos pela fé; comecemos por Cristo; comecemos pela Cruz de Cristo e pela humilhação a que ela conduz. Que sejamos primeiro atraídos por Aquele que foi elevado na cruz, para que Ele, junto consigo, nos conceda gratuitamente todas as coisas. “Busquemos primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”, e então todas essas coisas do mundo “nos serão acrescentadas”. Só consegue desfrutar verdadeiramente deste mundo quem começa pelo mundo invisível. Só o desfruta quem primeiro se absteve dele. Só consegue banquetear-se de verdade quem primeiro jejuou; só consegue usar o mundo quem aprendeu a não abusar dele; só o herda quem o recebe como sombra do mundo que há de vir e renuncia a ele por causa desse mundo futuro.

(A Cruz de Cristo como medida do mundo, 9 de abril de 1841)

  1. Os responsáveis pelas vocações nos loucos anos 1960, que rejeitavam seminaristas que não tivessem experimentado drogas, sexo e álcool, teriam feito bem em levar a sério as advertências de Newman a esse respeito — assim como todas as pessoas prudentes:

Uma das principais causas da maldade que se vê por toda parte no mundo — e da qual, infelizmente, cada um de nós participa mais ou menos — é a curiosidade de ter alguma convivência com as trevas, de experimentar o pecado, de descobrir como são os prazeres do pecado. Creio que muitos consideram até mesmo pouco viril — embora talvez não gostem de dizê-lo claramente — não conhecer o pecado pela experiência; consideram isso algo de que se deveria ter vergonha, como se demonstrasse um estranho isolamento do mundo, uma ignorância infantil da vida, simplicidade e estreiteza de espírito e um temor supersticioso e servil.

(A curiosidade como tentação ao pecado, 26 de junho de 1831)

  1. Ao pregar justamente nesta solenidade, em 1831, Newman observou: "Ainda não mencionei o benefício específico que se pode obter da celebração dos dias dos Santos: ele consiste claramente em apresentar à mente modelos de excelência que devemos seguir." Ele encerra o sermão com este desejo afetuoso:

São pensamentos que convém gravar em nós ao terminarmos — como fazemos agora — as festas anuais da Igreja. Cada ano traz maravilhas. Não sabemos que maravilhas terão acontecido antes que o ciclo das festas se complete novamente, de Santo André a Todos os Santos. Nosso dever, portanto, é esperar a vinda do Senhor, preparar o caminho diante dele e rezar para que, quando vier, nos encontre vigilantes. […]

(O uso dos dias dos Santos)

  1. Ele também aborda um tema muito atual e delicado: a conduta na Casa de Deus.

O que eu disse é suficiente para sugerir o que significa servir a Deus de modo aceitável, isto é, “com reverência e santo temor”, como diz São Paulo. Não devemos buscar formas por si mesmas; mas precisamos ter presente onde estamos, e então as formas entrarão naturalmente a serviço de nossa devoção. Em todos os aspectos, devemos agir como se víssemos a Deus. Isso significa que, se acreditamos que Deus está aqui, guardaremos silêncio; não riremos, não conversaremos nem cochicharemos durante o culto, como fazem muitos jovens; não ficaremos olhando ao redor. Seguiremos o exemplo dado pela própria Igreja. Quero dizer que, assim como as palavras com que rezamos na Igreja não são nossas, tampouco serão nossos os olhares, as posturas ou os pensamentos.

E, àqueles que se incomodam com a conduta apropriada na igreja, Newman oferece, com uma boa dose de humor britânico irônico, uma resposta contundente — que cada um de nós pode usar para responder hoje a perguntas semelhantes:

Tudo o que fazemos na Igreja, portanto, é feito por reverência: fazemos essas coisas porque sabemos que estamos na presença de Deus. Mas as pessoas irreverentes, por não compreenderem isso, entram na igreja e, como não encontram nada de impressionante, como veem que tudo é lido num livro e feito de modo calmo e tranquilo — e, mais ainda, quando voltam pela segunda ou terceira vez e percebem que tudo continua exatamente igual, repetidas vezes —, ficam ofendidas e entediadas. “Não há nada”, dizem, “que as anime ou interesse.” Consideram o culto a Deus monótono e enfadonho, se me permitem usar essas palavras, pois não vão à igreja para honrar a Deus, mas para agradar a si mesmas. Querem algo novo. Acham que as orações são longas e gostariam que houvesse mais pregação, feita de maneira teatral, com voz alta e estilo rebuscado. E, quando percebem que os fiéis na igreja mantêm uma atitude séria e recolhida e não olham, falam ou se movimentam tão à vontade como ao ar livre ou em suas próprias casas, zombam deles — se forem muito irreverentes —, chamando-os de fracos e supersticiosos. Ora, não é evidente que aqueles que ficam entediados, cansados e impacientes com nossos sagrados ofícios aqui embaixo certamente também se entediariam e cansariam no Céu? Pois lá os Querubins e Serafins “não cessam, dia e noite”, dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus todo-poderoso.”

(Reverência no culto, 30 de outubro de 1836)

  1. Por último, mas de modo algum menos importante, está o lema que Newman adotou na juventude: “Santidade, não paz”.

Com frequência, ouvimos hoje apelos à “paz” na Igreja, mas trata-se de uma falsa paz, pois não está fundamentada na verdade. Cristo nos adverte que segui-lo com total fidelidade não trará paz, mas a espada (ver Mt 10,34). Jesus chega a declarar que a fidelidade a Ele afetará até mesmo as relações familiares (ver Lc 12,53). E, infelizmente, não vimos essa profecia cumprir-se amplamente nas últimas décadas? O santo cardeal sofreu afastamento ao longo de toda a vida justamente porque buscou a santidade: perdeu um cargo em Oxford; era visto com desconfiança pelos anglicanos enquanto anglicano; perdeu amigos após sua conversão; era visto com desconfiança pelos católicos enquanto católico; e foi traído por bispos. Contudo, em sua Apologia pro Vita Sua, ele nos conta que, apesar de todo o sofrimento:

Estive em perfeita paz e contentamento; nunca tive uma única dúvida. Quando me converti, não percebi em mim nenhuma mudança, intelectual ou moral. Não percebi ter adquirido uma fé mais firme nas verdades fundamentais da Revelação, nem maior domínio de mim mesmo; não tinha mais fervor. Mas foi como chegar ao porto depois de um mar revolto; e minha felicidade por isso permanece, até hoje, sem interrupção.

Não é interessante que sua busca da santidade e sua paixão pela verdade tenham, por fim, também lhe proporcionado a experiência da paz?

Bem, chegamos ao fim de nosso seminário sobre a santidade segundo a mente e o coração de São John Henry Newman: Cor ad cor loquitur. Espero que tenham notado como ele exorta suas congregações, de maneira constante e inabalável, a rezar ao Deus bom para que “nos faça amar o que ordenais, para que alcancemos o que prometeis”. Tudo em Newman é orientado por aquele horizonte transcendente a que chamamos Céu e dirigido a ele. Tendo isso em mente, exorto-vos a fazer vossa, como oração diária, a oração dele por uma morte feliz — sim, uma morte feliz —, que nos conduzirá à plena comunhão com todos aqueles santos que celebramos hoje:

Ó meu Senhor e Salvador, amparai-me naquela hora com os braços fortes de vossos Sacramentos e com o perfume renovador de vossas consolações. Que sejam pronunciadas sobre mim as palavras da absolvição; que o óleo santo me assinale e sele; que vosso próprio Corpo seja meu alimento e vosso Sangue, minha aspersão. Que minha doce Mãe, Maria, sopre sobre mim; que meu Anjo me sussurre a paz; e que meus gloriosos Santos sorriam para mim; para que, neles e por meio de todos eles, eu receba o dom da perseverança e morra como desejo viver: na vossa fé, na vossa Igreja, no vosso serviço e no vosso amor. Amém.